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Entrevista com a Directora Ana Farinha
Clube do Jornal | 20-07-2011

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Entrevista com a Directora Ana Farinha

 

“… Julgo continuar num caminho positivo, no qual reconheço haver já contribuído com melhorias significativas, mas encontrando ainda alguns aspectos a melhorar…”

 

            No final de mais um ano lectivo, e já como lançamento do próximo, o jornal Viso em Movimento quis auscultar a Directora do Agrupamento, professora Ana Farinha, a quem pediu um balanço das actividades feitas e uma avaliação da vida escolar no Viso.

           

Jornal Viso em Movimento — Professora Ana Farinha, 2010/ 2011 está a terminar. Quais foram para si os momentos decisivos na vida do Agrupamento ao longo do ano lectivo?

 

Directora Ana Farinha — Este ano lectivo, tal como os anteriores, teve os seus momentos mais significativos, creio, nos diversos instantes de actualização daquilo que constitui um dos vectores fundamentais da gestão desta equipa directiva, a saber, a procura de um leque de experiências educativas, tão abrangentes quanto possível, acessíveis aos nossos alunos.

Com isto refiro-me às inúmeras parcerias que conseguimos criar e segurar, de modo a fornecer novas e criativas formas de aproveitar os talentos de todos os alunos, seja através da música (como é o caso do «Ensino Articulado» e «O Viso Tem Tom»), da ciência (as sessões no IPATIMUP e o projecto da fundação Ilídio Pinho), da ecologia (Agenda 21 Escolar e Eco-escolas), etc. As iniciativas realizadas no âmbito destes projectos trouxeram uma nova dinâmica ao nosso Agrupamento, a qual se traduziu num maior envolvimento de toda a comunidade circundante às nossas escolas, tornando-as verdadeiros centros da vida em comunidade.

 

VM — Vivemos algumas mudanças internamente, a principiar pelo aspecto físico de algumas escolas, em particular a E. B. 1/ JI das Campinas e aqui a Escola E. B. 2,3 do Viso. Até que ponto esta “lavagem de rosto” contribuiu para criar um melhor ambiente escolar?

 

 

AF — É uma questão suficientemente estudada para que existam quaisquer dúvidas a este respeito: de facto, a melhoria dos espaços físicos traduz-se sempre numa melhoria da atitude dos seus utentes, não só para com as instituições que frequentam, mas também para consigo mesmos, pois sentem-se mais dignos de investimento e atenção.

Na prática, pude mesmo observar como estas renovações trouxeram mais ânimo e auto-estima não só aos alunos, mas também aos seus pais; resultando em benefícios significativos no ambiente vivido, e na relação com os docentes e discentes. Uma consequência muito positiva foi ver como aumentou a aspiração dos nossos estudantes, pois perceberam que há quem se dedique a eles e neles invista.

 

 

VM — Professora Ana Farinha, quais são, neste momento, as suas prioridades no tocante a intervenções no parque escolar do Agrupamento?

 

AF — Há certamente ainda algumas obras de restauração dos espaços físicos a realizar em algumas das escolas, mas sobretudo gostaria de dotar o parque escolar do nosso Agrupamento com mais espaços para funções particulares, como salas de música ou de ciências, por exemplo.

 

 

VM — Tivemos conhecimento que decorreu, recentemente, um estudo para melhorar a ecoeficiência na Escola Sede. O que nos pode dizer sobre este estudo e sobre o que irá mudar a partir dele?

 

AF — Em primeiro lugar, é preciso notar que o nosso Agrupamento possui já um elevado grau de consciência ecológica, pelo que as mudanças não necessitam ser radicais. Contudo, há um certo número de racionalizações na utilização da energia eléctrica e aparelhos eléctricos, que podem ser implementadas para benefício de todos.

No campo dos resíduos, há também pequenas melhorias a realizar. E, finalmente, havendo dinheiro para isso, quem sabe se não será possível, através de novas parcerias, conseguir dotar as nossas escolas com aparelhos de geração de energia, como existe no pavilhão da escola E. B. 2/ 3 do Viso, de forma a tornarmo-nos numa das primeiras escolas a ser inteiramente auto-sustentável em termos energéticos. Contudo, neste momento isto não passa de um sonho…

 

 

VM — Uma das grandes questões que perpassam o ensino público em Portugal passa pela autonomia das escolas: considera-a uma condição imprescindível para a melhoria efectiva do trabalho escolar?

 

AF — Apesar de nos encontrarmos perante uma situação conjuntural que dificulta a atribuição de autonomias, pois tal implica frequentemente mais custos para o Estado, considero ser esta uma condição imprescindível para a melhoria do trabalho das escolas.

A verdade fundamental é que cada comunidade tem as suas particularidades e, acima de tudo, as suas potencialidades. Ora, num regime com maior autonomia, existe a liberdade para orientar os esforços no sentido de potencializar o que cada conjunto tem de melhor. De outra forma, há muitos talentos a serem desperdiçados e vidas a serem diminuídas por não se encaixarem exactamente na norma vigente.

 

 

VM — Professora Ana Farinha, se tivesse autonomia para tomar grandes decisões, o que mudaria no nosso Agrupamento?

 

AF — A minha opinião nesta matéria é que sem o perfil de docente desejado para estes alunos nunca vamos conseguir grande coisa! Como tal, defendo em primeiro lugar a requalificação funcional de alguns docentes do quadro. Defendo, igualmente, uma maior uniformidade no total de horas lectivas de cada docente (para todos um número de 20 horas).

Defendo, ainda, uma flexibilização da carga curricular (podendo uma turma beneficiar de um reforço de horas numa disciplina, num determinado ano lectivo, caso lhe tivessem sido diagnosticadas dificuldades assinaláveis nela — ter, por exemplo, 10 horas a Língua Portuguesa, em detrimento de outras áreas — e no ano seguinte beneficiar de um reforço a outra disciplina, tendo mais horas, por exemplo, a Matemática).

Penso, também, serem úteis mais horas de contacto entre docentes e alunos, aumentando assim a disponibilidade dos professores relativamente aos alunos, fora das horas lectivas formais. Isto pode ser conseguido através de presença física na escola (que é prioritário no Ensino Básico), ou utilizando os meios oferecidos pela Internet.

Do mesmo modo, gostava que houvesse uma maior mobilização dos docentes e dos alunos para a iniciação à experimentação científica, fazendo uso dos nossos meios e para a criação de projectos inovadores, capazes de promover uma cultura educacional de sucesso.

Por fim, defendo uma maior delegação da tarefa de avaliação dos docentes numa entidade externa independente, com livre acesso para assistir às aulas em qualquer altura, bem como, para fazer requerimentos a todos os professores dos materiais (por exemplo do plano de aulas) de que necessitem.

 

 

VM — Uma das grandes críticas à vida da nossa comunidade educativa passa pela indisciplina dos alunos. Na sua opinião, o que deve ser feito para a combater?

 

AF — A indisciplina dos nossos alunos tem vindo a diminuir, excepto no caso de alunos que integram as turmas de Educação e Formação (CEF’s) e atribuo isso à insistência nas nossas prioridades na valorização das particularidades de cada comunidade e de cada aluno. No nosso intento de valorizar as potencialidades de todos, prestamos mais atenção aos alunos que estavam a atrasar-se em relação às normas instituídas e ao seu porquê. Isto teve efeito na auto-estima dos alunos e na sua integração na comunidade educativa.

Portanto, em conjunção com as melhorias nos espaços físicos, julgo termos encontrado já um dos melhores caminhos para reduzir a indisciplina. É preciso continuar nele, e valorizá-lo ainda mais.

 

 

VM — Professora Ana Farinha, que balanço faz deste seu segundo ano de mandato?

 

AF — Julgo continuar num caminho positivo, no qual reconheço haver já contribuído com melhorias significativas, mas encontrando ainda alguns aspectos a melhorar. Enquanto tiver à minha frente estas duas exigências, julgo que estou a trabalhar como deve ser. Tudo o resto são contingências particulares, algumas delas graves, fruto da situação económica do país, e das mudanças governativas. Reconheço que algumas destas contingências tornaram a nossa tarefa muito difícil, mas enquanto houver metas a almejar, vale a pena lutar…

 

 

VM — É ponto assente que o Agrupamento do Viso está a mudar. Tem sido publicamente elogiada por parceiros e mesmo pelos agentes educativos do Agrupamento. Sente a sua missão está cumprida, ou vê-a apenas como uma etapa intermédia de uma missão maior?

 

AF — Cada tarefa tem os seus objectivos e as suas limitações. Nesta tarefa, como já disse anteriormente, julgo estar a realizar o meu trabalho o melhor possível e com resultados positivos, pelo que é com agrado que vejo pôr-se a questão acerca de estar já cumprida a missão.

Contudo, ainda há muito a fazer, e o melhor trabalho é sempre realizado concentrando-nos naquilo que nos faz frente, pelo que esta é a missão na qual me empenhei actualmente de forma total, nunca como uma etapa intermédia. No futuro haverá certamente outras missões integrais, e espero nunca tratar nenhuma como intermédia, pois então não estarei a fazer o melhor possível por ela.

 

 

VM — Por último: professora Ana Farinha, quais são as suas expectativas para o próximo ano lectivo?

           

AF — Espero alguma calma em termos de alterações governativas em termos do projecto educativo nacional, para que as escolas tenham tempo de se reorganizar e concentrar nos elementos particulares da sua situação. Só assim poderemos alcançar um serviço de qualidade.

 

Entrevista realizada em 8 de Julho de 2011

 

 

 

 

 

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